18 de mai. de 2010

Eu quero muito te ver. Mas queria mais ontem do que hoje, e amanhã eu não sei; Não sei se diminui ou aumenta. Dois instáveis eu e você. Três, né, o tempo também. Aqui sol, aí chuva. Vice-e-versa-blá-blá-blá. Mas querida, eu já quis muito ver tanta gente, talvez você seja só mais uma, mais uma só. Ou não. Ou sim. Aí de mim!



JC
Creio que não há mais nada a ser renovado. Sensação de fim de linha. Trombada final. Destroços. Muita sucata. Tem uma pilha enorme de coisas velhas no meu coração. Essas sobre as quais eu não quero mais escrever e já estou escrevendo. Sedentarismo emocional existe? Pois pra mim existe. E fala, grita , chora, mudo, parado. Vontade de sufocar o tempo com uma belíssima e colorida almofada. Mas não, vou ficar aqui parada, almofadas no colo, olhar perdido, janela de vidro embaçada de caos, vendo tudo parado não se renovar, apesar do grande grande movimento externo ao meu blindex.



JC

16 de mai. de 2010

...ficarei o dia inteiro na cama pensando em dormir com você.







- Caio Fernando Abreu
compreenda, eu só preciso falar com você. não importam as palavras, os gestos, não importa mesmo se você continua a fugir e se empareda assim, se olha para longe e não me ouve nem vê ou sente. eu só quero falar com você, escute.







- Caio Fernando Abreu
pelos descaminhos, meu rumo se perdia, eu tornava a buscar, recomeçava — e novamente errava, e novamente insistia, túrgido de ternura, me encarei.







- Caio Fernando Abreu

mas era nos olhos, só nos olhos, que se fixava aquele mudo apelo, aquele grito. nem sei. aquela clara maldição. saí, saiu. não dissemos nada. eu só tenho esperas. ele traz a tranqüilidade de mais nada esperar.







- Caio Fernando Abreu

contou desculpas nos dez dedos das mãos abertas em frente ao espelho. não satisfeita, recorreu aos dos pés. recorreria a outros, se mais tivesse. as desculpas se acumulavam me entende, eu não quis, eu não quero, eu sofro, eu tenho medo, me dá a tua mão, entende, por favor. eu tenho medo, merda!







- Caio Fernando Abreu

tô tirando férias, dando um tempo disso,
chega de amar, chega de me doar, chega de me doer.







- Caio Fernando Abreu

após esse dia, nunca mais a vi, até que nos reencontramos — sendo impressionante que "nunca mais" possa ser usado desse jeito, "nunca mais até que...". mais impressionante do que isso só mesmo ver uma pessoa numa festa, achá-la patética, e tempos depois a estarmos amando, para tempos depois não estarmos mais. essa incoerência do amor quando revisto. penso muito nisso, mais do que necessário. em como é "desconcertante rever um grande amor". você olha pra ele e não sabe onde foi parar aquilo tudo que deveria estar eternamente ali.



- Fernanda Young

mas o meu estar parado

era maior do que eu.
estar parado/estar vivo:
a mesma incompreensão
e medo
entre mim e aquele estar das coisas.




estar ali
como nunca ter chegado.
estar ali
como ter visto absolutamente tudo.
estar ali
por estar ali.
e além de mim
o que eu não ousava.






- Caio Fernando Abreu

mas continuo

ali.
aqueles espaços
permanecem tão mortos de mim
como um corpo que se ama
e não se toca.






- Caio Fernando Abreu

sei tudo sobre mim, ou tudo o que dá para saber sobre mim, já que penso só em mim há vários anos, e posso testemunhar que, se falo de mim tanto assim é porque, apesar de cínico, sou covarde.







- Fernanda Young
Aritmética
pg. 8-9

não diz nada, você não diz nada. apenas olha para mim, sorri. quanto tempo dura? faz pouco despencou uma estrela e fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. pedi para saber tocá-lo. você não me conta seus desejos. sorri com os olhos, com a mesma boca que mais tarde, um dia, depois daqui, poderá me dizer: não. há uma espécie de heroísmo então quando estendo o braço, alongo as mãos, abro os dedos e brota. toco. perto da minha a boca se entreabre lenta, úmida, cigarro, chiclete, conhaque, vermelha, os dentes se chocam, leve ruído, as línguas se misturam. naufrago em tua boca, esqueço, mastigo tua saliva, afundo. escuridão e umidade, calor rijo do teu corpo contra a minha coxa, calor rijo do meu corpo contra a tua coxa. amanhã não sei, não sabemos.







- Caio Fernando Abreu

"Charme? Caráter?
Fosse o que fosse, ela tinha isso."


VirginiaWoolf

"Te amo ainda que isso te fulmine
ou que um soco na minha cara me faça
menos osso e mais verdade"


Hilda Hilst

... fitas, flores secas, sobretudo rosas, sobretudo vermelhas, cujas pétalas depois de mortas ganham uma tonalidade de sangue coagulado. Isso me pacifica.







Caio F.

"Às vezes me parece que estou perdendo tempo, ás vezes me parece que, pelo contrário, não há modo mais perfeito, embora inquieto, de usar o tempo: o de te esperar."







(Clarice Lispector)

'Não quero olhar para trás, lá na frente, e descobrir quilômetros de terreno baldio que eu não soube cultivar. Calhamaços de páginas em branco à espera de uma história que se parecesse comigo. Não quero perceber que, embora desejasse grande, amei pequeno.'



[Ana Jácomo]

9 de mai. de 2010


"Amar significa amar o que é difícil de ser amado,do contrário não seria virtude nenhuma; perdoar significa perdoar o imperdoável, do contrário não seria virtude alguma; fé significa crer no inacreditável, do contrário não seria virtude alguma. E esperar significa esperar quando já não há esperança, do contrário não seria virtude nenhuma."



(Gilbert Keith Chesterton)

6 de mai. de 2010


já tenho um passado, tenho tanta história. meu coração está ardido de meias-solas.



(Caio F. Abreu)