'Já conheço os passos dessa estrada’... E, mesmo assim, estarei sempre pronto para esquecer aqueles que me levaram a um abismo. E mais uma vez amarei. E mais uma vez direi que nunca amei tanto em toda a minha vida. Direi.‘Vou colecionar mais um soneto, outro retrato em branco e preto a maltratar meu coração’...O que eu tenho, afinal? Saudades. Eu tenho saudades.”
Fernanda Young
22 de ago. de 2010
21 de ago. de 2010
Acho que eu digo tantas bobagens porque sei mesmo que no final de tudo a gente não vai se perder. As minhas palavras são ásperas porque as minha emoções oscilam, mas é tudo só medo de te perder por algum motivo dessa vida e acabar tendo que me esconder nas minhas mentiras de novo pra, de novo, tentar encarar o sol sem ter você. É por isso que eu sempre seguro sua mão com força, é por isso que meu abraço às vezes te sufoca e que meu coração grita tão alto que te envergonha. A verdade é que eu tinha muitas teorias de liberdade e independência, mas é verdade também que eu, antes de tudo isso, nunca tinha entendido o que era mesmo o amor nessa vida.
Rani Ghazzaoui
20 de ago. de 2010
Mas sei: sempre sei que tudo isso não está mais do lado de fora: sei que já não bastaria abrir a janela: sei que não bastaria a janela. Como se minhas unhas crescessem e eu as cravasse no meu próprio peito. Digo para mim mesmo que não é preciso assassinar o que já está morto, mas enquanto dura a respiração dele, preciso continuar enterrando as unhas devagar na carne, afastando músculos e veias e ossos, como se escavasse a terra em busca de uma semente.
Caio F.
Caio F.
Mas tudo isso é necessário? Tudo isso o quê? As explicações, as memórias, os mitos. Não sei, não sei, não consigo de outro jeito. Continuo esperando certa nitidez vinda de fora. Por enquanto, nesta outra cidade, ouço e vejo apenas o vento misturando terras, pólens, papéis, sementes, miasmas, folhas e histórias. Sopra mais forte na minha esquina sobre o abismo.
Caio F.
Caio F.
Outro conceito: da felicidade que rompe a ideologia viscosa da felicidade, aquele que, edificando o amor, movimenta-se em torno de um núcleo de dor. Conseqüentemente, o amor não traz a felicidade mas enche de vida a quem ama e alivia o cansaço de ser.Apenas expurgando os medos que torturam, exterminando as esperanças que iludem, arriscando-se, categoricamente, a despedaçar o «eu», é possível dizer que amar é a troca de nada. Quando se ama assim, quando se ama sem esperar nada, o amor se faz translúcido e se mostra como é.
Educ. rev. no.31 Curitiba 2008
Carmen Lúcia Fornari Diez
19 de ago. de 2010
Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como uma cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio
E nem entendo aquilo que entendo
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço
Além do que:
O que faço dessa lucidez?
Sei também que essa minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
-já me aconteceu antes.
(Clarice Lispector)
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como uma cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.
Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio
E nem entendo aquilo que entendo
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço
Além do que:
O que faço dessa lucidez?
Sei também que essa minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
-já me aconteceu antes.
(Clarice Lispector)
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